Cha-cha-chá

O Cha-cha-cha é o nome de uma dança latino-americana originária do México construída sobre a música de mesmo nome. O cha-cha-chá foi introduzido em Cuba pelo compositor e violinista Enrique Jorrín, em 1953. Sua música “La Engañadora”, de 1951, é considerada o primeiro cha-cha-chá. O nome deriva-se do seu passo básico. O Cha-cha-chá, se começa a bailar, marcando três passos no cha-cha-chá e o trânsito será no um-dois. Ou seja começa-se com o seu nome e seguindo o Güiro (instrumento de percussão cubana). Este instrumento "raya" três vezes levando o ritmo do Cha-cha-chá. Essa foi a inovação que fez no seu "novo danzón", Enrique Jorrín, quando estreio "La Engañadora", ao que os bailadores, responderam marcando Cha-cha-chá e não o Danzón como esperavam. Esta anedota foi contada sempre pelo seu grande autor cubano Enrique Jorrin nas suas apresentações na TV Cubana.

Em 1942, Ninón Mondéjar fundou a Orquestra América, que teve entre seus músicos a Enrique Jorrín como director musical e orquestrador. Na década do 40 haviam surgido os clubes juvenis, entre outros, os Jóvenes do Silencio, Fraternidade Estudantil, Inter Social, Silver Star e a Federação de Sociedades Juvenis (criada por Mondéjar). A Orquestra América criou um danzón para cada um destes clubes, com um verso cantado onde mencionava-se o nome de cada um deles. Na primeira parte executava-se o danzón com todas suas partes, e na segunda, toda a orquestra cantava uma melodia com um texto onde mencionava-se o nome do club para o qual actuavam. 

Enrique Jorrín compõe os danzones Doña Olga, que foi um êxito nos anos 40, Liceu do Pilar, Central Constância, Osíris, Unión Cienfueguera, aos que lhe adiciona um montuno. Algo similar fazem Mondéjar e outro músico da orquestra América: Antonio Sánchez Reyes (Musiquita), Felicidades; Félix Reyna, con Fajardo y sus Estrellas. Ao respeito expressa Jorrín: "Construí alguns danzones nos  que os músicos da orquesta faziam pequenos coros. Gostaram ao público e tomou essa vía. No danzón Constância intercalou alguns montunos conhecidos e a participação do público nos coros o levou a fazer mais danzones deste estilo. Pedía-lhe à orquestra que todos cantaram ao unísono. Com o uníssono logravam-se três coisas: que se ouvira a letra com mais claridade, mais potente, e além dissimulava-se a qualidade das vozes dos músicos que em realidade não eram cantantes. 

O cha-cha-chá também estava no ambiente, e foi Enrique Jorrín quem delineou a forma em que hoje se conhece. Para isso, trocou a célula rítmica do güiro, o movimento e o figurão do piano na última parte (a esquerda, a contratempo e a direita a tempo), introduziu uma nova célula rítmica entre a tombadora, o timbal e  o güiro,  e as frases musicais dos violinos e os cantantes ao uníssono. Deslocou o acento da quarta “corchea” em compasso de 2/4 do mambo, até o l primeiro tempo no chachachá fazendo a menor quantidade de síncopa possível.

Em 1948 tinha gravado a canção do compositor mexicano Guty Cárdenas, onde a primeira parte a fez no seu estilo original, e a segunda no tempo mais movido. Com esta impronta surge “La engañadora”, gravada em 1953, que tem uma introdução, uma parte A repetida, B y A, e finaliza com uma coda em tempo de rumba; mas na sua inscrição aparece como mambo-rumba, embora já tinha todas as características do cha-cha-chá. Era a época do auge do mambo de Dámaso Pérez Prado em México em quase todo o mundo. Mas no mesmo disco em que aparece La engañadora, inclui-se Silver Star, que em sua parte cantada repete: “chachachá / chachachá/ é um ritmo sem igual”. Nesta mesma linha de criação de Jorrín, a orquestra América dfunde El túnel, Nada para ti, Cógele bien el compás, e de Musiquita, Poco pelo e Yo sabía. 

A "América" foi a orquestra que estreio “La engañadora”, e divulgou o cha-cha-chá em outros países de América Latina. À vez, compositores como Rosendo Ruiz Quevedo com "Rico vacilón" (quizás - o cha-cha-chá mais conhecido no mundo), "Los marcianos", Richard Egües, com "El bodeguero", e "Reyna con Muñeca triste" e "Pa'bailar", deram auge a este género, particularmente pelo êxito obtido entre os bailadores pela orquestra cienfueguera La Aragón. Outras agrupações foram também importantes na divulgação do cha-cha-chá, entre elas, as charangas de Neno González, Melodías del 40, Sensación, Fajardo y su Estrellas, Sublime, Maravillas de Florida e Estrellas Cubanas.

Também as jazz-bands, entre elas: la Riverside, Ernesto Duarte e Hermanos Castro, contribuíram à difusão do novo género. Fora de Cuba, os músicos fizeram-se eco do cha-cha-chá. Assim, em Nova York, Tito Puente, entre outros, dão a conhecer "¡Qué será!" e "Happy chachachá" e Ray Cohen, "Chachachá de tus pollos". Até no cinema também chegou a moda do cha-cha-chá, como na antológica cena entre Judy Hallyday e Dean Martin do filme “Esta rubia vale un millón”, e autênticos chachachás ouviram-se e dançavam nos filmes mexicanos "Club de señoritas", "Bailando cha-cha-chá" e "Las viudas del cha-cha-chá".

O descorrer deste géneros, junto à canção, o bolero, o  son e a rumba, constituem-se nos pilares que alçam a música cubana de ontem a hoje, sendo o cha-cha-chá o último em nascer.

Fonte: https://www.lajiribilla.cu/2012/n565_03/565_13.html apud Guias de estúdios Marta Bercy Danza Cubana.

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