Mambo

O Mambo é talvez o género mais controvertido na história da música popular cubana. É o que mais pais tem e do qual cada interprete ou investigador da sua uma versão diferente da sua origem. Para o director de orquestra e compositor Obdulio Morales, o mambo é uma voz espontánea, "uma expressão, um grito de um bailador durante um mambo qualquer e foi repetido pelos restantes bailadores até patentear-se". Pela sua parte, o musicólogo Odilio Urfé expresa: "Na ceremonia vodú que practica a grande mayoría do povo haitiano, chama-se lhe mambo à  sacerdotisa que oficia esse ato religioso"; e em outra parte desta definição: "Mambo é uma expressão muito comum entre os columbianos (indivíduos que praticam a rumba columbia), e significa eficiência, exigência, assentimento na acção de executar uma columbia." Depois afirma: "Palo mambo é um toque de raíz africana, raramente ouvido na actualidade"; e concluiu Urfé: "Mambo é o título de um danzón do compositor popular Oreste López..."

O tresero e compositor matancero Arsenio Rodríguez  faz algumas precisões sobre em que zona da cultura africana - que Urfé apontou antes--, origina-se a palavra MAMBO: "Os descendentes de congos [...] tocam uma música que se chama tambor de “yuca” e nas controvérsias que formam um e outro cantante, seguindo o ritmo, me inspirei-me e essa é a base verdadeira do mambo. La palabra mambo es africana, del dialecto congo. Um cantante lhe diz ao outro: "abrete cuto güirí mambo", ou seja: "abre o ouvido e ouve o que vou-te dizer". A ideia veio porque tinha que fazer algo para buscar-se o "cocimiento" [la comida], e pensou que unindo estas coisas podería resultar uma música estranha para bailar. O primero que compos neste estilo foi “Yo soy gangá” - [1938]; o primeiro "diablo" o mambo que se gravou em discos fue “So caballo” - [1943]."

Segundo Damásio Pérez Prado: "Mambo é uma palavra cubana. Usava-se quando a gente queria dizer como estava a situação: se o mambo estava duro era que a cosa ia mal... Gostei a palavra... Musicalmente não quer dizer nada, para que lhe vou a dizer mentira. É um nome. Até aí não mais."

Mariano Pérez, no seu Dicionário da música e os músicos, define o mambo como um baile "latino-americano em 2/4 que foi feito popular desde 1943 pelo cubano Pérez Prado". Contudo, rectificando ao autor desta informação, devemos dizer que em 1943 ainda Pérez Prado não tinha criado nenhum mambo, embora na sua orquestração de “La última noche”, de Bobby Collazo, gravado em 1944 por Orlando Guerra (Cascarita) com a orquestra Casino de la Playa, já introduz, no piano e nos saxofones, alguns dos elementos que mais tarde utilizará no mambo. Na realidade, como tem-se dito, "O fenómeno musical popular denominado mambo sempre tem existido, só que com distintos nomes. Uma vez chamou-se guajeo, outra montuno ou verso, agora mambo. Tem-se produzido desde as origens de nossa música por ser, desde o ponto de vista formal, a expressão mais primitiva, já que é la "anarquia dentro de um tempo".

Admite-se que de todas as versões sobre a origem da palavra MAMBO, a que mais ajusta-se à verdade é a de Arsenio Rodríguez, quem coincide com Urfé em quanto a sua filiação africana, embora Arsenio afirma que é de origem congo. Outra questão não menos questionável do mambo é sua característica rítmica. Para uns, "O mambo não é outra coisa que uma guajira-son"; para outros, "O mambo [...] é um tipo de montuno sincopado que possui o sabor rítmico do cubano, sua informalidade e sua eloquência. O pianista ataca no mambo, a flauta a ouve e se inspira, o violino executa em dupla corda acordes rítmicos, o baixo adapta o tumbao, o timbalero repica com o cencerro, o güiro rasguea e faz o soar das maracas, a indispensável tumba corrobora o tumbao do baixo e fortalece o timbal."

E é que o mambo, como quase toda a música cubana, é sincopado; já Pérez Prado desde que trabalhava com a orquestra “Casino de la Playa”, vinha utilizando nos saxofones a síncopa em todos os motivos, enquanto a trompeta leva a melodia e o baixo o acompanhamento, que combinava com o bongó e as tumbas.

O mambo não tem um ritmo característico, se não é o cruzamento de vários. Urfé considera que "... a palavra mambo emprega-se erroneamente ainda pelos músicos entendidos, ao referir-se ao caso em sim. Tem-se podido apreciar poucas vezes o facto musical ao qual se lhe deve chamar Mambo. Para que se produza o mambo se requere, fundamentalmente, que todos os que participem na sua formação atuem em forma alheia ao que tem-se escrito. Mais claro: todos devem executar "o que não está escrito". Por outra parte, para obter um mambo genuíno, os instrumentistas devem empregar somente no "climax" efeitos rítmicos. Ritmo contra ritmo. Nada de tonadas nem melodias definidas. Não devem ter ritmo fixo em nenhum instrumentista".

Segundo outros investigadores, mambo é o que fazia Arsenio Rodríguez, pois as trompetas executavam compassos no montuno que chamava-se masacote, e se dava um grito: diabo, e de aí partiu Pérez Prado para escrever seus primeiros mambos. Na realidade, o mambo tem mais elementos do son e a rumba (mambo batiri), que do danzón, e foi Arsenio Rodríguez, o músico que mais influenciou no seu surgimento; mas se como este apontou, o mambo procedia das fontes rituais congas -algo que já tinha advertido Fernando Ortiz--, "toda a savia de sua autenticidade", ao dizer de Natalio Galán, se espelhava no que Arsenio fazia com seu “três”. Mas bem resulta correcto aceitar estes antecedentes "na sua novidade”, o mambo tomará posteriormente características diferentes às de seus antecessores, demasiado apegados a suas fontes folclóricas, o que determinou que Arsenio Rodríguez ficara "no umbral do que no 46 será "mambo a lo Pérez Prado", sem parar de transmutar-se em posteriores estilos". No entanto, não deve esquecer-se que Arsenio no tres e Israel Cachao López com seu trabalho, aportaram "a patente de aquele tumbao que em ritmo cruzado do cencerro prolonga seu toque a dois compassos que os outros tem resolvido em um e escutava-se um mambo [...]".

O mambo não tem deixado de cultivar-se, inclusive tem sido reflectida em outras obras, em “Los reyes del mambo” tocam canções de amor, de Oscar Hijuelos. Uma nova geração de compositores cubanos e estrangeiros nos últimos anos tem mergulhado no mambo, pelo que este mantem sua vigência como género.

Fonte: https://www.lajiribilla.cu/2012/n565_03/565_13.html apud Guias de estúdios Marta Bercy Danza Cubana.

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